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UNIVERSO EM DESENCANTO
Achamos o Livro UNIVERSO EM DESENCANTO notável pelas revelações que contém sobre os problemas cruciais da existência humana. A leitura, a partir das primeiras páginas, poderá não despertar o interesse do leitor desatento e dotado de alguma formação científica. Isso é explicável, porque o Livro visa à humanidade e não aos homens de ciência de um modo particular. Se, porém, a leitura for feita de forma reflexiva, tudo mudará e as verdades envolventes que emanam de suas páginas dominarão por fim.
O Livro contém somente verdades e ensina usá-las no interesse da Redenção dos homens. A linguagem é específica, violenta, por vezes, assemântica, atribuindo conteúdo novo a vocábulos, criando outro; recorre a imagens e processos elementares. Afasta-se dos cânones da ciência e da filosofia oficiais. Mas, comunica o conhecimento substancial, atingindo, assim, a meta.
O homem culto não deve perder de vista que a linguagem é uma estrutura lógico-formal, edificada para comunicar o pensamento e que uma teoria pode ser exposta, fazendo uso de diversas linguagens (linguagens, e não língua, cumpre distinguir as duas categorias). A escolha de uma determinada linguagem é uma questão de comodidade apenas. O Livro fez a sua opção.
A linguagem usada no Livro UNIVERSO EM DESENCANTO é, segundo nos parece, a mais indicada, pela leveza e pelo poder de comunicação, sem restrição de leitores, que oferece.
O Livro é uma obra de cosmogonia, no sentido amplo e metafísico do conceito, em que se introduz e se explica a concepção do Universo; a sua origem é o seu termo, a partir de uma realidade suprema, de um Metauniverso a que denominaram MUNDO RACIONAL. Esta realidade nos é dada como uma revelação vinda de poderes que transcendem os poderes humanos. Ela associa a intuição à razão; é intuitiva e não contrária às normas da razão; é a fusão da origem da causa e do efeito, como realidade inicial, porque não há efeito sem causa.
Ali encontramos esclarecido o mistério da vida. A vida encontra-se como um tecido que vincula os seres Racionais que somos, ao Cosmo. Cosmo este, que se apresenta como o antimundo do Metauniverso, realidade inicial. O Livro revela que esta vida nos mantém fora do nosso verdadeiro “habitat”, que é o MUNDO RACIONAL. E diz que isso (a nossa queda daquele paraíso) aconteceu porque os seres ali vivendo, no Super Mundo Racional, são livres, como exige a condição de seres perfeitamente felizes. Podiam usar do livre-arbítrio e optar pelo Grande Mundo ou antimundo. Aqueles, e somos nós, que fizeram a segunda opção, aqui se encontram e travam a batalha da vida: quem nasce deve morrer.
Mas, a morte não significa o aniquilamento, esclarece-nos o Livro. A morte é apenas um ponto singular da nossa trajetória através da vida. O nosso referencial vinculatório jamais desaparecerá; ele está lá no MUNDO RACIONAL. Cabe-nos tomar consciência dessa situação de fato, e o Livro no-la dá. É só lê-lo com atenção e persistência, para constatar.
O cultivo das ciências e das artes são manifestações desse sentimento. Traduzem o esforço obstinado da procura da posição de equilíbrio definitivo, da felicidade, em suma, obstinação que caracteriza o ser humano. Esta felicidade realizar-se-á com o retorno à base de partida, o Metauniverso, o MUNDO RACIONAL.
Mostra-nos o Livro, na forma linguística peculiar, com beleza por vezes poética, que vivemos o século da nossa Redenção. O desenvolvimento da ciência e da filosofia científica contemporânea, a derrocada do misticismo puro, o descrédito geral que paira sobre a velha tábua de valores, a angústia irredutível da humanidade, a descrença generalizada da juventude na ordem até aqui instituída, que a faz procurar novos caminhos; tudo isto preparou e amadureceu a humanidade para o reencontro consigo mesma. Esse Livro, grande no conteúdo e simples na forma, mostra-nos que o reencontro acontecerá no conhecer o que é CULTURA RACIONAL, que é a cultura do Metauniverso perfeito de onde viemos.
Como conseguirá a humanidade entrar na Via Racional, que a conduzirá ao destino último? A resposta encontra-se no Livro UNIVERSO EM DESENCANTO e é simples como são as grandes verdades.
Lendo e relendo esse Livro, código da verdade, de modo a criar um estado consciente, denominado no Livro, estado de IMUNIZAÇÃO RACIONAL. Neste estado o ser humano passa a ter contato direto com os Habitantes do MUNDO RACIONAL, com os quais estabelecerá diálogo e, então, o seu equilíbrio realizar-se-á e isso significará que a morte irá lhe abrir a porta para a Redenção Eterna. Morrer neste estado é perder a individualidade para ingressar na vida universal, a eternidade, de que falava o grande biologista inglês, Haldane.
O Livro ainda nos ensina: no mundo em que vivemos há progresso material, mas, a evolução criadora, bem diferente do simples progresso, é apanágio do Metauniverso perfeito de nossa origem. Aqui é o reino da contradição e da injustiça, característica do mundo em progresso de deformação e de decomposição. Este mundo é obra dos homens e deverá desaparecer com eles. O homem é o senhor do seu destino e as Entidades Supremas interferem na vida do antimundo, o qual está sob o governo dos homens.
O estudo e o conhecimento deste mundo em que vivemos, nos permite isolar as constantes do Metauniverso, cuja existência é certa, de modo a nos habilitar a compreendê-lo cada vez mais. Passamos assim, a ter consciência clara da nossa posição face ao Cosmo e à vida.
Em vez de partir para explicar o Universo, da existência de um agente criador, o Livro nos revela a existência do objeto criado, o Metauniverso com toda a sua complexidade. Esta posição é, como não podia deixar de ser, a posição certa do homem de ciência.
Tem-se, assim, um supremo princípio postulado, a bem dizer, único. A partir daí, os processos inferenciais da razão, aliados à intuição, nos permitem construir uma imagem da grande realidade que nos é revelada no Livro. Essa é também a posição de Russel: partir do objeto criado e não do criador.
O conhecimento desse Universo Superior, de onde viemos e para onde vamos retornar, é suficiente para satisfazer o desejo humano de explicação dos mistérios da vida.
Os trabalhos da lógica moderna, em que pontificam um Kurt Godel, o maior dos lógicos vivos e um Paulo Cohen, homem que resolveu recentemente o célebre problema conhecido no domínio da filosofia, da matemática, como Hipótese do Contínuo, nos permitem dizer que a pergunta: ”Quem criou esse Metauniverso?” é desprovida de sentido e não pode ser corretamente formulada pela humanidade e, sim, definida de princípio a fim pelo RACIONAL SUPERIOR, um Ser Superior, do Super Mundo Racional.
A profunda corrente do pensamento filosófico cosmológico, que vem dos racionalistas gregos, Tales e Anaximandro, este o maior pensador de seu tempo (611 a 545 A.C.), passando por Platão e terminando na cosmogonia intuicionista de Bergson, encontra-se nos seus elementos substanciais, representadas nesse Livro singular.
Isso, aliado ao fato de que o Livro nasceu no Rio de Janeiro, da pena de um homem de Cultura Cósmica, que está redigido em linguagem modesta, sem pretensões científicas, leva-nos à convicção de que esse homem é um iluminado e esse Livro, fonte de verdade, é de ordem superior.
O Livro faz questão de acentuar: o seu conteúdo não é ciência, nem filosofia, nem religião e, sim, um conhecimento natural, quer dizer, intrínseco ao uno.
A Redenção em linguagem popular deixa intacta a substância profunda das verdades que anuncia, as quais estão ao alcance imediato dos homens, que devem se animar, em benefício próprio, a ler este grande Livro, cuja importância para a humanidade atual é decisiva.
(*) Texto em Inglês:










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