
(JORGE ELIAS, Jornalista, autor do Livro “O Cavaleiro da Concórdia”)
Durante a noite anterior não conciliara o sono. As visões acabaram por deixá-lo preocupado. Agora, de volta ao trabalho, Manoel não conseguia esconder a inquietação.
Na tentativa de fugir à curiosidade dos colegas de repartição, atravessou apressadamente a galeria onde ficam expostos os bustos dos diplomatas, alcançando o jardim.
No espelho d’água do imenso lago, ladeado por palmeiras, Manoel examinou o rosto cansado, os olhos vermelhos. Sentiu vontade de ir embora para casa, de descansar um pouco. Mas acabou desistindo da ideia. Sabia que tinha muito a fazer, naquele dia, no Palácio do Itamaraty.
Ao pensar nisto, sentou-se na grama. E procurou relembrar a infância, buscando apagar aquelas imagens que tanto lhe atormentavam.
Como tinha saudades do tempo de menino, da vida colorida a lápis de cor.
Nos quintais da infância, no esquecido chão de circo, não havia lugar para as preocupações, embora fatos estranhos já pontilhassem seus caminhos, provocando medo e inesperadas reações.
Sorriu ao imaginá-lo correndo, descalço, sem camisa, pelas ruas da Cidade Nova, disputando espaço com outras crianças. E os olhos de Amélia Baiana a acompanhá-lo e protegê-lo, cercando-o de todos os cuidados. Naquele tempo, como agora, amava os pássaros, os bichos.
Depois mudou-se. Foi para a Rua Alice, no Rocha.
Matriculado na Escola Modelo, na Rua Ana Neri, no Riachuelo, logo a professora constatou: o aluno Manoel já sabe ler, escrever e contar. E mais: sabe tudo que lhe for perguntado. História, ciência, português, matemática, geografia, astronomia e mais: até política, uma loucura. Tudo isso sem ter frequentado o colégio anteriormente.
Ao lembrar de dona Joana, a professora, sorriu. Após conhecê-lo, ela piorou…
Intrigada, confusa, desnorteada, ela vivia a perguntá-lo:
– Manoel, você consegue ler minha cabeça?
– Olha, eu ia lhe fazer essa pergunta, mas você me respondeu antes mesmo de ter sido perguntado, como foi isso?
O menino Manoel desconhecia os seus poderes e acabava complicando ainda mais a cabeça da professora, a coitada já andava falando sozinha.
Um dia, porém, dona Joana resolveu colocar tudo em pratos limpos. Não se conteve e mandou chamar dona Rosa na escola. Queria, porque queria, uma explicação para o fenômeno. Para proteger o filho, a mãe de Manoel escondeu a verdade. Mentiu sem o menor receio:
– Tudo o que ele sabe, aprendeu comigo lá em casa. O Manoel é um menino muito inteligente. Não tive a menor dificuldade para alfabetizá-lo.
– Mas, ele está atualizado até em política. A senhora não acha que é demais para um menino de dez anos?
– Dona Joana, o Manoel é um menino que guarda tudo aquilo que ouve e assimila os fatos com enorme facilidade. O que ele sabe de política, aprendeu, estou certa, ouvindo as conversas lá em casa.
Se a mentira livrou Manoel da indiscrição das pessoas não foi suficiente para tranquilizar dona Rosa. Ela voltou para casa muito preocupada, aflita, impressionada.
Era inacreditável tudo aquilo que ela ouvira sobre Manoel. À noite, logo após o jantar, ela contou ao marido o que estava acontecendo.
O maestro tratou de acalmá-la:
– Rosa, o Manoel é um menino prodígio. Eu diria mais: um menino predestinado. Veio ao mundo para cumprir uma missão. Você não deve se surpreender nem tampouco ficar preocupada. Encare tudo, meu amor, com naturalidade e paciência. Seja compreensiva e dedicada, afinal, fomos os escolhidos. Não sei por que razão, mas fomos os escolhidos.
O maestro Manoel abraçou a mulher. Depois relembrou o nascimento do filho, aquele meteorito em forma de estrela e também as palavras de Amélia Baiana, aparentemente sem sentido, mas verdadeiras e profundas.










A SUPREMACIA RACIONAL DETERMINOU, A MÃE NATUREZA FEZ CUMPRIR E SOMOS TODOS PRIVILEGIADOS PELA PRESENÇA DE INIGUALÁVEL AUTORIDADE, FAZENDO-NOS CIENTES DE QUEM SOMOS, DE ONDE VIEMOS, COMO VIEMOS, PARA ONDE VAMOS E COMO VAMOS.
SALVE-NOS, ATRAVÉS DO DESENVOLVIMENTO DO RACIOCÍNIO, O VERDADEIRO DEUS, O RACIONAL SUPERIOR! E QUE NOS CUBRA SEMPRE COM SEUS PODERES, O PAI ETERNO!
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Não existe e nunca existiu neste mundo de matéria maior honraria para todos que o SE CONHECER pelo desenvolvimento do raciocínio.
Gratíssimos, Mary, pelo iluminado comentário!
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