
(JORGE ELIAS, Jornalista, autor do Livro “O Cavaleiro da Concórdia”)
Manoel Jacintho Coelho modificara completamente a sua vida. Agora dedicava-se inteiramente à feitura do Livro, mergulhado na mais profunda solidão. Esquecera de tudo: dos filhos, da família e dos amigos. Das alegres noites de festa, do violão, do chope inconsequente e gelado. Até o foguete, manga larga marchador que o levava por demorados passeios pelas ruas arborizadas e tranquilas do Méier, havia sido esquecido, colocado de lado e engordava no pasto.
Ninguém conseguiu demovê-lo do trabalho obstinado, determinado e ininterrupto. Nem mesmo os médiuns da Tenda Espírita Francisco de Assis, solicitando conselhos e explicações:
– O Manoel está fascinado, envolvido com o trabalho, vai em frente, sem olhar para trás. Não adianta chamá-lo, convidá-lo, pois ele não irá ao encontro musical, o que ele está tocando agora é o Livro e enquanto não terminá-lo, não adianta.
Jacob do Bandolim tinha certeza daquilo que estava falando, conhecia muito bem Manoel Jacintho Coelho. Sabia perfeitamente o que significava para ele a feitura daquele livro, por isso entendia, aceitava e impedia que os outros músicos fossem incomodá-lo.
– Então, Jacob. Como vamos fazer? Onde vamos encontrar um outro sete cordas bom como o Manoel?
– Calma, Ciro. Ainda não sei e não estou querendo esquentar a cabeça por enquanto. A festa só vai ser realizada mês que vem e até lá talvez o Manoel já tenha terminado o Livro. Quem sabe?
Ciro Monteiro e Jacob do Bandolim seguem em frente, descendo a Avenida Central, rumo à Cinelândia. Contemplam a cidade, seus recantos e explanadas. Na tenda espírita, Manoel continua ouvindo, concentrado, a voz do RACIONAL SUPERIOR:
– Vamos, vamos, Manoel. Sempre que o prepotente fizer prevalecer sua ignorância, sua brutalidade, não recue nem sinta desgosto. Mas o gosto da provocação, iluminando-o com a luz e a força de seu raciocínio. Jamais conceda ao prepotente a trégua da sua indiferença. Nem tenha medo. Ao levar a minha mensagem, seja forte. Não se preocupe com as reações. A única coisa que devemos ter medo no mundo é do próprio medo.
O RACIONAL SUPERIOR tinha pressa. Findava o ano de 1935 e Manoel precisava concluir os 21 volumes básicos da obra que iria ser intitulada de UNIVERSO EM DESENCANTO.










O GRANDE MISSIONÁRIO deu exemplo com a sua dedicação e seriedade ao chamado do PODER SUPREMO, com conduta ÍMPAR de QUEM trabalhou diuturnamente para SOCORRER a humanidade e ACORDÁ-LA, através do desenvolvimento do Raciocínio, a ÚNICA PARTÍCULA ETERNA em cada ser vivente.
UMA ÚNICA CONSCIÊNCIA VIVA, na companhia de AUTORIDADE SUPERIOR, em meio à inconsciência do restante, compenetrado de seu dever e para tanto ANCORADO NA VERDADE das verdades do LIVRO LUZ DA REDENÇÃO UNIVERSAL, ”Universo em Desencanto”.
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Que grandiosidade: UM SÓ resolvendo o problema de todos por ser porta-voz da sabedoria VERDADEIRA!
Isso sim, é que é fantástico, extraordinário!
Gratíssimos!
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