O VERDADEIRO, DESENCANTO EU SOU! Nº 15 – O CAVALEIRO DA CONCÓRDIA PARTE 2

BANDEIRA RACIONAL 1

(JORGE ELIAS, Jornalista, autor do Livro “O Cavaleiro da Concórdia”)

 

 

Na Tenda Espírita Francisco de Assis, no Méier, Nelson Nunes de Almeida comportou-se exatamente como Amélia Baiana havia lhe orientado. Pediu para falar com Manoel e diante da resposta de que ia demorar um pouco, sorriu, dizendo:

– Eu sei, eu sei. Mesmo assim vou esperá-lo. Não tenho pressa. Fechou os olhos e lembrou-se de Amélia Baiana, aquela mulher negra, caridosa, preocupada com o sofrimento dos outros. E também da observação que ela fizera:

– Seja paciente meu fio, espere o tempo que fô. O Manué anda muito ocupado, conversando com Deus, recebendo mensage do céu.

Amélia Baiana sabia das coisas e não havia aparecido em sua vida por acaso. Surgiu para indicá-lo com o dedo da sabedoria, o caminho da salvação, da luz e da verdade.

Perna inchada, Nelson não conseguia calçar sapatos e caminhava com enorme dificuldade. A cada passo, gemia, sentindo dores terríveis. Julgava-se sozinho, abandonado no mundo, jogado fora. Após a doença, esquecido, passara a viver na fronteira com o lixo, pois nem banho tomava mais.

– Você vai melhorar, moço. Vai ficar curado. As Entidades do Astral Superior acabaram de me garantir. O tormento, as dores, as dificuldades, vão desaparecer. As razões de seu fracasso, da doença e dos problemas surgidos em sua vida, não vou poder revelar, mas vou restituí-lo, a partir de hoje, de tudo aquilo que você perdeu.

Manoel Jacintho apareceu na porta muito antes do tempo que se previa. Era a própria luz da esperança, da misericórdia. Sobre sua cabeça havia uma coroa de material fosforescente. Nelson sabia que se quisesse tocá-la não iria conseguir, porque a coroa era transpassável.

Parecia iluminada de néon, tamanha a beleza da luz. Então não se conteve, caiu de joelhos aos pés de Manoel, suplicando:

– Por favor, por favor. Me ajuda, me ajuda. Não deixe os médicos cortar minha perna, não deixe cortar minha perna.

– Tenha calma, moço. Sua perna não vai ser cortada.

Ao fazer tal afirmação, Manoel colocou as mãos sobre a cabeça de Nelson. O homem continuava ajoelhado e chorava desesperado. Lembrou-se então do que lhe dissera o RACIONAL SUPERIOR no Dia da Anunciação: “o sofrimento não é o meu sinal de cólera, mas o meu sinal de amor”. No que pensou assim, sentiu um forte calor percorrer todo o seu corpo e passar para o corpo do homem que ali estava, através da mão que apoiara na cabeça dele, num gesto de solidariedade, de sentimento e de amor por seu semelhante.

Nelson percebeu o seu corpo esquentando, esquentando. Mas manteve-se em silêncio, cabeça arriada. O calor foi tão forte e tão intenso, que suas lágrimas secaram e as dores desapareceram como um encanto. Observou que o corpo de Manoel, naquele instante, estava solto no espaço, flutuando, circundado por uma auréola luminosa.

Era inacreditável tudo aquilo que estava vendo e sentindo. Se contasse, ninguém ia acreditar. Porém tinha que reconhecer: era deslumbrante, incrível, extraordinário.

O calor foi diminuindo simultaneamente com a luz e a situação, poucos minutos depois havia se normalizado. Manoel estava no chão outra vez, transformado novamente em homem:

– Nelson, vai tomar banho. Você está muito sujo. O processo de cura foi iniciado, mas você só vai estar totalmente curado dentro de sete dias. Portanto, neste espaço de tempo, tome todos os cuidados básicos de higiene. Procure se lavar muito bem, principalmente a perna ferida. Vou procurar algumas roupas para você.

Manoel não sabia de onde Nelson havia surgido nem tampouco quem lhe indicara o caminho da Tenda Espírita Francisco de Assis. Mas ali estava, dedicando-se àquele homem. Após o banho, trouxera-lhe as roupas e muito mais: comida e também uma considerável quantia em dinheiro por determinação superior:

– Pegue todo aquele dinheiro que está guardado para a feitura do meu Livro e entregue a esse homem, Manoel. Não se preocupe. O dinheiro para o Livro vai surgir. O importante por enquanto será concluir a Obra. Vamos, Manoel. Pegue o dinheiro e trate de presenteá-lo a esse homem.

Manoel tratou de obedecer. Nelson ficou surpreso, espantado. O que estava acontecendo era simplesmente inacreditável. Chegara ali um trapo, um molambo, dobrado pela dor, castigado pela vida, mergulhado na miséria. Duas horas depois, a situação havia se modificado de forma radical. Não sentia mais dores, estava de banho tomado, limpo, de roupas novas e alimentado. Podia calçar sapatos e tudo, pois sua perna começara a desinchar após o recebimento da energia que emanara do corpo de Manoel. E como se não bastasse tudo aquilo o homem ali estava lhe dando considerável quantia em dinheiro, para que pudesse reiniciar a sua vida.

Sentiu-se envergonhado. Em princípio não quis aceitar, achando que podia estar explorando aquele homem que, sem lhe conhecer nem tampouco perguntar de onde viera, abrira a porta de sua casa, estendendo-lhe a mão, disposto a ajudá-lo:

– Não, Manoel. Eu não posso aceitar esse dinheiro todo. Não tenho como pagar. Estou desempregado, doente, e não sei como vai ser minha vida daqui para frente.

– Moço, eu tenho ordens para lhe dar esse dinheiro. Trate de aceitá-lo e procure usá-lo da melhor maneira possível. Vá em frente e cuide de sua vida e não olhe para trás. Um dia vamos nos encontrar.

Antes de partir, Nelson, satisfeito, comentou:

– Quando aquela senhora cruzou meu caminho e começou a me fazer perguntas, eu sabia, eu sabia! Ela estava ali para me ajudar. Eu sabia, eu sabia.

– De que senhora você está falando?

– De dona Amélia Baiana.

Ao ouvir o nome de Amélia Baiana, Manoel estremeceu. Olhou através da janela e viu o céu aberto. No interior dele, um cavalo branco, veloz, cavalgando em sua direção.

A voz de mar retomou a palavra mais uma vez:

– Enxugue as lágrimas de todos os olhos e coloque o sorriso no rosto do homem triste. Dê de beber àquele que tiver sede, de comer àquele que tiver fome, dê coragem àquele que tiver medo, esperança àquele que tiver em desespero. Dê consolo aos aflitos e coloque a verdade das minhas palavras na boca do descrente, do mentiroso, do falso profeta. Seduza o vivente com o meu canto e faça dele a sua oração. Ultrapasse os muros, Manoel. E percorra o mundo, espalhando a minha mensagem e apresentando o meu Livro.

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O VERDADEIRO, DESENCANTO EU SOU! Nº 14 – O CAVALEIRO DA CONCÓRDIA PARTE 1

BANDEIRA RACIONAL 1

(JORGE ELIAS, Jornalista, autor do Livro “O Cavaleiro da Concórdia”)

 

 

 

Pedreiro de profissão, Nelson Nunes de Almeida mal podia caminhar. Uma enorme ferida surgira em sua perna esquerda, provocando-lhe dores terríveis. Enquanto tinha dinheiro, consultou vários médicos e nada, a perna cada dia inchava mais, para o seu desespero. Até a pequenina casa, na Rua Mello e Souza, em São Cristóvão, acabou abandonando por falta de pagamento.

Desempregado, sofrendo muito, Nelson não sabia mais o que fazer. Sua mulher e seus filhos foram levados para a casa de sua sogra e estavam sendo sustentados por seus irmãos, as dores aumentavam, a perna inchando, inchando. Sem dinheiro, mal podia comprar remédios, cuidar do ferimento. Agora, até o socorro médico nos hospitais públicos tornava-se penoso, devido às dificuldades de locomoção.

Naquela manhã, a coisa piorou. A ferida abriu de vez, aumentando-lhe ainda mais as dores. Nelson chorava inconsolável:

– Por que meu Deus, por quê? Eu tinha saúde, o meu trabalho, a minha família. Era um homem feliz, de repente a desgraça. Não posso entender, meu Deus, nunca fiz mal a ninguém, sempre fui um homem bom. Por quê? Por quê, meu Deus?

– Por que tá chorando tanto assim, homê de Deus. Não se desespere não, nem tudo tá perdido nesta vida.

– Como? O que a senhora está falando? Estou sentindo muita dor. Não tenho o que comer, perdi minha família, meus filhos, meu trabalho, minha casa. Agora vou perder minha perna, vou morrer. Talvez seja melhor morrer.

– Vou ti ajudá, homê, vou ti ajudá.

– Me ajudar? Ninguém pode me ajudar, ninguém…

– Homê, você tá enganado. Tem uma pessoa na Terra que pode ti ajudá.

– Quem?

– O Manué.

– Manoel?… Quem é Manoel?

– Mora no Méier, mas já morô na Praça da Bandeira. Tem um centro, mas não é daqui. Veio de longe. Eu mi lembro du dia que ele veio, eu mi lembro.

A mulher continuava falando, falando e olhando para o céu, buscando alguma coisa. Seus olhos refletiam à luz e o brilho tornava o mistério ainda maior. Nelson não entendia nada, mas continuou curioso e também esperançoso:

– Se existe esse homem que pode me curar, diminuir o meu sofrimento, por que não vou procurá-lo?

Desejava ir até ele, sim, mas como, se não tinha sequer o dinheiro para a condução:

– Minha senhora, onde mora esse homem? Em que rua? Eu preciso falar com ele, eu preciso…

– Você vai falá com o Manué, você vai falá. Tenha paciência, você vai falá com o Manué ainda hoje. Vou lhe explicá direitinho. Chegando lá, você vai tê que esperá.  Tenha paciência, meu fio, espere o tempo que for. O Manué anda muito ocupado, conversando com Deus, recebendo a mensage du céu. Por isso, espere. É preciso saber esperar, você num vai arrependê, não.

– Quando ele me perguntar quem me mandou lá, o que devo dizer, minha senhora?

– Diga que foi uma amiga dele, a véia Amélia Baiana.

Nelson ficou arrepiado ao ouvir aquele nome. Uma sensação estranha, forte, diferente, vibrante, sacudiu o seu corpo. Emoção incontida tomou conta de seu peito e seus olhos se encheram de lágrimas. Aquela mulher que ali estava não era uma mulher qualquer nem tampouco aparecera em sua vida por acaso. Naquele reencontro havia o dedo de alguém e também uma luz a indicar-lhe o caminho.

– Você tem dinheiro, meu fio?

– Não senhora, eu não tenho.

– Então tome aqui o trocadinho, você vai precisá. Agora vá, procure o Manué.

Nelson foi esperançoso, arrastando o corpo, perna inchada, ficando roxa. Seu entusiasmo e a certeza de que ia ficar curado era tão grande, tão grande, que foi embora sem perguntar à Amélia Baiana onde ela morava. Se ficasse curado, como ia agradecê-la:

– Sou um distraído, um mal-agradecido – falou baixinho.

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O VERDADEIRO, DESENCANTO EU SOU! Nº 13 – ABRAÇANDO O CRIADOR

O VERDADEIRO, DESENCANTO EU SOU! Nº 13 - ABRAÇANDO O CRIADOR

(JORGE ELIAS, Jornalista, autor do Livro “O Cavaleiro da Concórdia”)

 

 

De roupa branca, sentado numa cadeira da mesma cor, Manoel Jacintho Coelho vai escrevendo, iluminado por uma luz prateada, muito intensa, numa pequena sala da Tenda Espírita Francisco de Assis. Vai anotando, com muita atenção, as palavras que lhe são ditadas pelo Universo:

– E vivem todos como feras, brigando com tudo, por isto e por aquilo. Demandando por isto e por aquilo. Por negócios, ou seja, lá por que for. Vivem num inferno em vida. Desesperados, sem sossego. Em certas horas e em certos dias nem vivem, vegetam. Abafados e sem ar, suspirando e lamentando-se. Tudo isso por viverem contra a sua própria natureza. Trabalhando contra si mesmos. Sempre desfavorecidos em tudo e sempre incompreendidos. São amigos hoje e serão inimigos amanhã. Aparentemente estão bem hoje e amanhã estarão mal. Portanto, todos vão de mal a pior. E por isso veja, como gozavam há séculos passados e como tudo tem piorado de um século para cá. E no futuro irá piorar, pois enquanto não chegarem aos seus lugares, o sofrimento não acabará. E só depois de todos nos seus lugares, é que em vez de irem para pior, como iam, irão todos para melhor. Todos estão pela metade do saber. E para concluírem esse saber terão de chegar à conclusão de que precisam encontrar o natural de si mesmos, para então abraçar o Criador, pois enquanto não abraçarem o Criador, o sofrimento aumentará sempre, estarão incompletos de sua natureza. E só abraçando o Criador estarão completos de tudo com sua natureza, trazendo para si tudo de melhor.

– Como podemos abraçar o Criador?

– Ora, conhecendo o que não conheciam. O que estão agora conhecendo: a Imunização Racional. Não confunda Imunização com espiritualização. A espiritualização é apenas uma forma que encaminha para a Imunização Racional. O vivente já conhecendo a Imunização, Escrituração que está em vossas mãos, precisa apenas conhecer e ficar ciente de todo o seu conteúdo, para ficar completo de tudo de sua natureza. E alcançar as graças do Astral Superior.

E prosseguiu:

– Vale dizer, Manoel. Na espiritualização, o vivente está ainda incompleto de sua natureza. E por isso, em mais da metade do caminho, continua incompleto. Completo o vivente somente vai estar com a Imunização Racional.

Falou e deu provas, dizendo:

– Uma das provas de que o infante que vive em contato com a natureza vive bem é dada ao próprio vivente pela botânica, que é um ser admirável por ser comunicativa com os humanos.

E por isso, aí estão na Flora, vegetais com recursos para a cura disto ou daquilo, dando ao vivente, meio de remediar os seus males até não poderem. Também nos sais, nos minerais, nos fluidos elétricos e magnéticos, ou até mesmo na autossugestão, o vivente encontra a cura, quando há razão para ser curado. E tudo isso é possível, porque tudo é originado das próprias partículas dos viventes e, por isso, tem grande ação benéfica para o corpo, tanto na cura como na alimentação, que são os legumes, os cereais e etc…

 

 

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O VERDADEIRO, DESENCANTO EU SOU! Nº 12 – O LIVRO UNIVERSO EM DESENCANTO

O LIVRO-DEUS

(JORGE ELIAS, Jornalista, autor do Livro “O Cavaleiro da Concórdia”)

 

 

Manoel Jacintho Coelho modificara completamente a sua vida. Agora dedicava-se inteiramente à feitura do Livro, mergulhado na mais profunda solidão. Esquecera de tudo: dos filhos, da família e dos amigos. Das alegres noites de festa, do violão, do chope inconsequente e gelado. Até o foguete, manga larga marchador que o levava por demorados passeios pelas ruas arborizadas e tranquilas do Méier, havia sido esquecido, colocado de lado e engordava no pasto.

Ninguém conseguiu demovê-lo do trabalho obstinado, determinado e ininterrupto. Nem mesmo os médiuns da Tenda Espírita Francisco de Assis, solicitando conselhos e explicações:

– O Manoel está fascinado, envolvido com o trabalho, vai em frente, sem olhar para trás. Não adianta chamá-lo, convidá-lo, pois ele não irá ao encontro musical, o que ele está tocando agora é o Livro e enquanto não terminá-lo, não adianta.

Jacob do Bandolim tinha certeza daquilo que estava falando, conhecia muito bem Manoel Jacintho Coelho. Sabia perfeitamente o que significava para ele a feitura daquele livro, por isso entendia, aceitava e impedia que os outros músicos fossem incomodá-lo.

– Então, Jacob. Como vamos fazer? Onde vamos encontrar um outro sete cordas bom como o Manoel?

– Calma, Ciro. Ainda não sei e não estou querendo esquentar a cabeça por enquanto. A festa só vai ser realizada mês que vem e até lá talvez o Manoel já tenha terminado o Livro. Quem sabe?

Ciro Monteiro e Jacob do Bandolim seguem em frente, descendo a Avenida Central, rumo à Cinelândia. Contemplam a cidade, seus recantos e explanadas. Na tenda espírita, Manoel continua ouvindo, concentrado, a voz do RACIONAL SUPERIOR:

– Vamos, vamos, Manoel. Sempre que o prepotente fizer prevalecer sua ignorância, sua brutalidade, não recue nem sinta desgosto. Mas o gosto da provocação, iluminando-o com a luz e a força de seu raciocínio. Jamais conceda ao prepotente a trégua da sua indiferença. Nem tenha medo. Ao levar a minha mensagem, seja forte. Não se preocupe com as reações. A única coisa que devemos ter medo no mundo é do próprio medo.

O RACIONAL SUPERIOR tinha pressa. Findava o ano de 1935 e Manoel precisava concluir os 21 volumes básicos da obra que iria ser intitulada de UNIVERSO EM DESENCANTO.

 

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O VERDADEIRO, DESENCANTO EU SOU! Nº 11 – A LUZ RACIONAL VAI ILUMINÁ-LO

O PRESENTE DIVINO - SER RACIONAL, E NÃO MAIS ANIMAL!

(JORGE ELIAS, Jornalista, autor do Livro “O Cavaleiro da Concórdia”)

 

 

A noite descera silenciosa e calma, mas Manoel estava nervoso e impaciente. Queria começar a escrever o Livro e terminá-lo logo, livrando-se da responsabilidade e da obrigação. Tinha consciência da grandeza da incumbência, de sua delicadeza e do tamanho de sua importância.  Por isso insistia, permanecendo ali sentado, empenhado, pronto, à espera do grande momento:

– Se é para fazer, vamos fazer logo. Não gosto de deixar as coisas para depois, pode complicar – pensava, papel e lápis sobre a mesa da ansiedade.

As palavras lhe fugiam e as mensagens se perdiam na hora da Escrituração, sem que ele pudesse explicar o que estava acontecendo. Por várias vezes, olhou o céu, através da janela, na esperança de avistar o Grande Livro aberto, seguro pela mão de um anjo, diadema de ouro na cabeça. Mas quando a impaciência começava a ceder lugar ao desespero, ouviu a voz do trovão:

– Seja paciente, Manoel. Não é assim. O Livro não será aquilo que você imagina, mas o que tenho para ditar. Após as 22 horas, você deve se concentrar, a Luz Racional vai iluminá-lo no silêncio, e você; então, ouvirá minha voz. Através dela a grande lição a ser dada a toda a humanidade. Aquele que se embriagar com o vinho do meu ensinamento alcançará a luz da vida eterna. Quem ignorá-lo, vai chorar arrependido e desesperado. E arrancará os cabelos ao avistar a fumaça do grande incêndio. Vai olhar, amedrontado, o tormento. Mas não haverá mais cálice nem vinho. O orgulho e o luxo vão dar lugar à tristeza e ao luto. Tudo será devorado: o delicado e o suntuoso, o ouro e a prata, as pedras preciosas e as pérolas. O linho e a seda, a madeira e o marfim. Do céu aberto surgirá cavalgando, finalmente, o Cavalo Branco da Redenção, o qual você deverá montar. Já lhe dei a coroa, a espada. E lhe darei o Livro. Com a espada, afaste os preguiçosos, os traidores, os incrédulos e os abomináveis, pois sobre eles despejarei o fogo de minha ira. Coloque a coroa na cabeça, Manoel, e trate de guiar aqueles que ouvirem a sua voz. Pois a sua voz será a voz do céu, a voz das águas, a voz dos ventos. A voz da natureza, da racionalidade, da verdade escondida. Seus ouvintes e seguidores serão cobertos e protegidos pelas asas da grande águia que descerá da estrela. Com o Livro, espalhe o saber, o conhecimento e a cultura. Através da Racionalização, vou poder enxugar as lágrimas de todos os olhos, renovar todas as coisas, pois sou o começo e também o fim. Aguarde, Manoel. Aguarde a minha música. Ela descerá do céu ao som da harpa dourada, dando início à salvação dos homens. Neste dia, estarei sentado num trono branco, sobre a Terra, assistindo o renascer do esplendor do Terceiro Milênio.

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O VERDADEIRO, DESENCANTO EU SOU! Nº 10 – O COROAMENTO DO MESTRE

COROA DE LUZ

(JORGE ELIAS, Jornalista, autor do Livro “O Cavaleiro da Concórdia”)

 

 

Ouviu, então, a Voz da Anunciação:

Nervoso, tenso, hesitante, Manoel preferiu ficar onde estava, ouvindo:

– Serei teu companheiro na tribulação, na realeza e na perseverança. Vou ajudá-lo a mostrar aos viventes o que vai acontecer na Terra, ensiná-lo o mistério da estrela e também todos os segredos da vida. Vamos dar de comer à árvore da salvação.

Um forte cheiro de incenso invadiu a tenda espírita. As doze cadeiras passaram a ser ocupadas por doze homens. Eram todos velhos, embora fortes e dispostos. Usavam longas cabeleiras e barbas brancas. Vestiam compridas túnicas brancas e caminhavam com generosidade e paciência:

– São os Cardeais do Universo, Manoel. Eles formam o Grande Conselho Superior. E vieram assistir ao seu coroamento.

– Meu coroamento?…

– Sim, Manoel. Ao seu coroamento. Aqui estou para ensiná-lo a governar a vida dos viventes, usando o cetro luminoso do Raciocínio. Para ajudá-lo também a quebrar, com este cetro, os vasos de barro do pensamento. Nenhuma vitória humana poderá preservar o vivente de ser finalmente um sofredor. Mas aquele que estiver em sofrimento, você vai ensiná-lo a não se abalar. O sofrimento não é o meu sinal de cólera, mas o meu sinal de amor. Através dele, vou lapidar, corrigir e salvar.

Manoel pôde finalmente avistar o homem, cuja voz de trovão estava acostumado a ouvir. Ficou arrepiado, trêmulo. Seu rosto brilhava como o sol. Seus cabelos eram brancos, longos como os dos outros. Seus olhos eram chamas de fogo e seus pés de metal incandescentes. Sua voz tinha o rumor dos mares. Mostrava na mão direita uma pedra branca e na esquerda uma espada azul iluminada:

– Sua vida, a partir de agora, Manoel, será muito difícil. Apesar de seu empenho, da luta e da dedicação para salvar a humanidade, não lhe pouparei do sofrimento. Você vai conhecer as difamações, as intrigas, as injustiças. Muitos vão se virar contra você sem eira nem beira, motivo ou justificação. Outros vão acompanhá-lo como cordeiros e encontrarão, ao final da estrada, o mundo sonhado. Quem permanecer fiel aos meus ensinamentos será presenteado, na hora da morte, com a minha coroa de vida eterna. Prepare-se Manoel, pois jogarão no teu caminho as pedras do tropeço. Não se desespere nem esmoreça. Trago-lhe do teu MUNDO, uma pedra branca. Nela, você deverá gravar o meu nome, um nome novo, que ninguém conhece. E que só conhecerão aqueles a quem você abençoar.

Agora mais tranquilo, Manoel torna-se todo atenção:

– Minha mensagem tem caráter definitivo, Manoel. Aqueles que tomarem conhecimento de meus ensinamentos, deverão colocá-los em prática imediatamente, de modo possam colher bem mais rápido, os frutos de minhas lições. Serão lições de amor, de concórdia, de verdades. Vou apresentá-las, através de um Livro, o qual você vai começar a escrever a partir de hoje. Com o Livro que irei ditá-lo, você vai conhecer o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a glória, a honra e o louvor. Mas, tudo isso, você deverá usar em benefício da humanidade, da divulgação da minha Obra, para salvar o vivente do flagelo. Seja generoso, paciente, perseverante. Sempre que se sentir cansado, debruças em mim, pois trabalharei por você. Pegue o seu cavalo branco, coloque a minha coroa sobre tua cabeça e parta com a minha espada. Mate a mistificação, o charlatanismo, a exploração. Você conseguirá, Manoel. Os homens, esteja certo, vão se associar de peito ao teu sacrifício, ouvindo e assimilando as minhas mensagens. Quem possuir ouvidos, vai ouvi-lo. Quem tiver olhos, vai vê-lo. Suas palavras e os seus escritos, percorrerão o mundo, transformados num inédito poema de esperança, de revelações.

Manoel não diz nada, permanece silencioso, atento:

– Estás pronto para saber o que vai acontecer na Terra, Manoel?

Respondeu que sim, embora sem saber ao certo. Desejou apenas dar uma demonstração de coragem. De dedicação, de confiança e de obediência. As velas dos imensos candelabros de ouro, colocados atrás das cadeiras alinhadas, logo se apagaram. O Arco-íris que invadira com sua luz colorida o salão do centro espírita, durante a mensagem, desapareceu imediatamente. Os relâmpagos e os trovões logo se fizeram ouvir. O sol se apagou naquele final de tarde e o céu ficou iluminado por uma luz vermelha como o sangue.

Uma chuva de granizo e fogo começou a desabar, os astros despencaram sobre a Terra, caindo como mangas maduras das mangueiras. O céu desapareceu por completo. As ilhas foram tragadas pelo mar em fúria e ebulição. Homens e mulheres, velhos e crianças, ricos e pobres, patrões e empregados, igualados no desespero e na desgraça, buscando, na aflição, as cavernas nas montanhas.

– Fique calmo, Manoel – interrompeu o homem de barbas longas e olhos de fogo, dizendo:

– Nem o céu, nem a Terra, nem as árvores, serão danificados enquanto não estiverem marcados aqueles que voltarão para nosso mundo. Meus filhos, Manoel, estarão livres do flagelo. Não terão mais fome nem sede. Nem tristezas nem dores. Já terão sido lavados na fonte da vida eterna. O Livro que vou ditá-lo, será a chave do poço e do abismo, lembre-se disto.

Seguiu-se a advertência:

– Durante a tua caminhada não faltarão as profetizas, as aproveitadoras. Cuidado com as profetizas, Manoel. Tente convertê-las. Mas não as deixe de ensinar, em conduzir o meu rebanho, mesmo que à distância. Meus cordeiros acabarão prostituídos e enganados. Desejo convertê-las também, Manoel, mas não com as suas imundícies.

– Como posso chamá-lo?

– De RACIONAL SUPERIOR. Os ensinamentos que você vai receber para transmiti-los à humanidade, pertencem a Cultura Racional, a cultura do raciocínio, a Imunização Racional.

– Mas, o que é Cultura Racional?

– São os ensinamentos do princípio e do fim do mundo. Através da Cultura Racional, o homem vai ficar sabendo de onde ele vem. Para onde vai e como vai. Trata-se de uma cultura do Terceiro Milênio, transcendental. Vamos ensinar a humanidade, como conhecer o mundo de sua raça e também, como saber voltar para ele. A Cultura Racional, Manoel, é a cultura do verdadeiro estado natural, do conhecimento de retorno da humanidade a seu verdadeiro mundo, através da Energia Racional, elo de ligação do ser humano com o MUNDO RACIONAL. Com o início da Fase Racional, a partir de agora, o espiritismo deixa de ter sentido, você sabia?

– Não.

– O que é espiritismo, Manoel? Você saberia me dizer?

Manoel quer responder, mas não consegue. Falta-lhe a voz e o RACIONAL SUPERIOR retoma a palavra, explicando:

– Espiritismo quer dizer: experimentando, em experiência, espertos, espetando, exploração, sempre com duas intenções, boa e má. Explicação que não dá conta do profundo ser da matéria, ficando em experiência sempre, sem solução, por preservar todos os mistérios, todos os enigmas, todos os encantos. Reside aí, Manoel, a razão dos sofrimentos e das lágrimas. Quem vive de experiência não chega à razão nem à conclusão definitiva das coisas. Ninguém deve confiar no espiritismo. Quem navega em experiência, não sabe se está certo ou errado. O espiritismo é, na verdade, um barco sem rumo. Os espíritas ignoram e fazem mistério de suas origens, mantêm segredo em tudo, mais por desconhecimento do que por precaução. O espiritismo serviu até aqui, apenas como elemento de toque, para alertar os viventes da existência de habitantes neste imenso vácuo. E também de outras paragens, além e muito além do vácuo. O espiritismo está no singular e nunca passou disso.

Manoel continua ouvindo, agora surpreso:

– Os habitantes do Astral Superior, encontram-se na Terra para esclarecer todos os mistérios, desencantar a todos, provar o porquê de todas essas confusões, comprovar o porquê de tudo por tudo.

E prosseguiu:

– Você deve lembrar, Manoel. Os Conhecimentos Racionais, são conhecimentos reais do porquê dessa vida, do porquê desse mundo, do antes de ser tudo que compõe esse mundo e do porquê todos desconhecem a sua origem. Do porquê da vida, de tudo e de todos. Isso só é possível, através dos Conhecimentos Racionais. No que é Racional, na pureza e na verdade das verdades. E não assim como vivem, à mercê do espiritismo, uma coisa em experiência, reunindo todas as falsas verdades. Com apenas uma partícula da verdade. Essa partícula é quem anima as experiências do espiritismo, botando todos em dúvida com a falsa fé, porque a fé é do falso condutor.

O RACIONAL SUPERIOR deu uma pausa. Bebeu um cálice da sabedoria e retomou a palavra:

– Se a fé não fosse do falso condutor, ninguém seria traído por ela. Se a fé valesse e resolvesse, todos venceriam com o poder da fé, ninguém sofreria. Não haveria sofrimentos, porque todos, através da fé, atrairiam para si, aquilo de melhor. Por ser a fé um enigma deste encanto, é que todos vivem mantendo o sofrimento e também o pranto. Todos usam a fé e o poder dela para todas as formalidades, para todos os fitos e para todas as soluções. Se a fé valesse, não haveria miséria de todos os tamanhos, de todos os quilates. Nem sofrimento. Mas, por ela não valer é que todos sofrem. Sofre o rico, sofre o pobre, o remediado. Sofre quem tem e quem não tem. Se ela resolvesse, nada disso existiria. E por não resolver, é que tudo isso existe.

E foi mais além:

– Os conhecimentos que serão transmitidos por Mim, o RACIONAL SUPERIOR, são Conhecimentos Racionais, diferentes dessa balofestia, onde tudo é balofo, só existindo a palavra, mas na realidade, nada. E tem mais, Manoel: muitos conhecimentos férteis virão com o andamento da Elaboração Racional.

E concluiu:

– E assim, todos nós, cada qual na sua categoria: os habitantes da Terra, os habitantes do espaço, os habitantes de outras paragens e os habitantes do Astral Superior, chegarão lá. Mas, vamos devagar, aprendendo, estudando, colorindo as lições da Elaboração Racional. As dúvidas são daqueles que não conhecem. Com o decorrer da Escrituração, as dúvidas desaparecerão, porque o que é Racional é completo. O que é ciência é do encanto e cheia de dúvidas. O que é Racional não tem mistérios, nem enigmas, nem encantos. É verdade desvendada nua, crua, limpa.

 

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O VERDADEIRO, DESENCANTO EU SOU! Nº 09 – A VOZ DA ANUNCIAÇÃO PARTE 3

PORTA DO MUNDO RACIONAL

(JORGE ELIAS, Jornalista, autor do Livro “O Cavaleiro da Concórdia”)

 

 

Ouviu, então, a Voz da Anunciação:

– Onde existe atraso, existe sofrimento, existe trevas: Por isso, todos vivem no escuro, sofrendo, sem saber como se livrar do sofrimento.

Jamais inteiramente satisfeito, Manoel Jacintho Coelho continua a sua procura, buscando novos caminhos, novos horizontes.

Controlando os impulsos, de forma lúcida, clara, decidida, vai entregando seu corpo com denodo, abnegação e coragem.

Na atmosfera envolvente e suavemente perfumada da Tenda Espírita Francisco de Assis, ele recebe mais uma comunicação: sobre sua cabeça, um foco de luz prateada, intensa, transparente a iluminá-lo:

– Onde existe adiantamento, Manoel, existe a luz. Portanto, não há sofrimento. Quem sabe não sofre. Quem não sabe, pena. Existem os que pensam que sabem. Mas o sofrimento prova que eles não sabem, pois se soubessem não sofreriam nem tampouco fariam os outros sofrer.

Manoel mostrou-se inquisitivo, desejoso de maiores esclarecimentos. Então, a luz tornou-se mais forte, mais intensa, mais clara sobre ele.

A voz elevou-se:

– Os que sabem, Manoel, não sofrem. Resolvem tudo por si e por todos. Porém, muitos vivem com saber insignificante, triste, sem nenhum valor. Envaidecidos de uma sabedoria fraca. E embora convictos da nulidade da sabedoria que apregoam, consideram-se sábios, mantendo-se no pedestal, na tribuna, no púlpito. Na verdade, não passam de grandes impostores. São impostores por serem sofredores, mantendo lições de uma sabedoria que só traz sofrimento para todos. O que adianta, Manoel, um saber que só aumenta o sofrimento? Não adianta nada, não vale nada.

Olhos semicerrados, Manoel ouve em silêncio, expressão de atenção concentrada no rosto:

– O mundo está convertido por uma sabedoria invertida, aonde o atraso é adotado como saber. Isto é tão visível, como tornou-se visível o sofrimento do mundo. Tanto assim que admitem a salvação do mundo pelo desenvolvimento da destruição. Ah! Manoel, dentro de pouco tempo todos vão ver a água ferver e esfriar de repente, como uma brasa jogada dentro da lagoa. Não fique preocupado, logo depois tudo será normalizado. E a paz vai voltar a reinar, finalmente, em todo o Universo.

Manoel quis falar, mas não teve tempo. A Voz da Anunciação tratou de interrompê-lo, indo adiante:

– Os homens nasceram no mundo, mas o mundo não é dos homens, não é dos habitantes. E por não ser dos habitantes, nem tudo eles podem resolver. Dentro de muito breve, as coisas vão começar a se encarreirar, ganhando novos rumos, com caráter de melhoria universal. Será colocado um ponto final no absurdo. Através de você, vou apresentar ao mundo um Livro contendo a verdade das verdades. Com a leitura deste Livro, todos vão saber de onde vieram e para onde vão. Será um Livro de revelações surpreendentes, revolucionário, pois vai provocar modificações de conceitos, de princípios filosóficos, de pregações religiosas. Através dele, o mundo vai tomar conhecimento de uma nova cultura, de novos ensinamentos, de novas lições. Vai conhecer o caminho da luz, além de seu Verdadeiro DEUS. Será uma Obra universal, grandiosa.

– O livro? Como vou fazê-lo?

Manoel quer saber.

– Terá de escrevê-lo, através do conhecimento que vou lhe transmitir.

– Não estou entendendo…

– Quando chegar a hora, Manoel, você entenderá. As verdades serão derramadas diante de seus olhos, claras, elucidativas.

– Mas, mas…

Manoel ficou preocupado com o peso de tamanha responsabilidade.

– Acalme-se, Manoel. Você tem capacidade. Foi por ter capacidade e coragem que você foi escolhido. Já estamos bem próximos do Terceiro Milênio. E a fase do Terceiro Milênio é a fase da Racionalização dos povos, onde toda a humanidade vai conhecer o mundo de sua raça e ainda saber como voltar para ele. Com o livro que você vai escrever, o homem vai aprender a desenvolver o raciocínio e também se desligar, definitivamente, da energia elétrica e magnética, ganhando, então, vida eterna, transformando-se em massa cósmica, pura, limpa e verdadeira.

Manoel ficou tranquilo, ouvindo:

– Não será filosofia, nem religião, mas uma cultura transcendental. A cultura do verdadeiro estado natural, do conhecimento do retorno da humanidade ao seu verdadeiro Mundo de Origem, através da Energia Racional, elo de ligação do ser humano ao MUNDO RACIONAL.

– Mas o que é Energia Racional?

Perguntou Manoel, agora curioso. Mas a voz respondeu-lhe apenas:

– Você vai saber de tudo sobre Energia Racional. Vai conhecê-la para poder ensinar. Tenha paciência e aguarde. Tudo tem seu tempo. Fruteira nenhuma dá fruto antes do tempo. Eu já lhe ensinei. Será que você não aprendeu?

Manoel sorriu.

A anunciada transformação que iria ocorrer em sua vida e o surgimento de uma nova cultura de Racionalização dos povos não ficariam guardadas atrás das brancas paredes da Tenda Espírita Francisco de Assis no Méier.

Atravessaria o Atlântico e seria ouvida na Europa.

Na cidade de Gubbio, na Itália, o advogado, professor e escritor espírita Pietro Ubaldi captaria a mensagem:

” …e desse modo, os fenômenos não serão mais vistos nem ouvidos, nem tocados por um EU qualquer, mas sentidos por um ser que se transformou em delicadíssimo instrumento de percepção, sensitivamente evoluído, nervosamente refinado e sobretudo aperfeiçoado. Ciência nova, conduzida pelos caminhos do amor e da elevação espiritual, é ciência que o Super-homem que está para nascer fundará a Nova Civilização do III Milênio.”

Ao receber a mensagem, Pietro Ubaldi tratou de anotá-la e incluí-la no livro que escrevia: A GRANDE SÍNTESE.

Este livro iria se tornar, com o passar dos anos, o mais famoso de toda a obra do escritor italiano. Durante sua feitura, Ubaldi passava por um imenso período de solidão e trabalho.

 

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O VERDADEIRO, DESENCANTO EU SOU! Nº 08 – O HOMEM DO OUTRO MUNDO

O HOMEM DO OUTRO MUNDO

(JORGE ELIAS, Jornalista, autor do Livro “O Cavaleiro da Concórdia”)

 

 

O Senhor Presidente da República, Dr. Getúlio Vargas olhou o relógio, acendeu o charuto, pegou o telefone e ligou para o Ministro Afrânio de Melo Franco, no Palácio do Itamaraty:

– Dr. Afrânio?

– Sim.

– Quem está falando é o Dr. Getúlio. Estou desejando saber do senhor Manoel Jacintho Coelho, aquele seu funcionário. Ele me pediu que resolvesse um problema dele, e vou atendê-lo. Trata-se de um emprego para um parente, um sujeito estudioso, competente, merecedor da oportunidade. Por favor, peça a ele que venha imediatamente ao Palácio do Catete, porque não disponho de muito tempo.

 -Vou mandá-lo sim. E de resto, Presidente?

– Vou bem, Dr. Afrânio. Estou recuperado e pronto para servir ao nosso País.

– Isto é ótimo, Dr. Getúlio, isto é ótimo…

– Vou desligar, Dr. Afrânio. Não deixe de mandar o Manoel aqui.

– Sim, Presidente…

Ele não conseguia, porém, esquecer de Manoel.

Quando soube dos resultados eleitorais da Constituinte, dia 3 de maio, voltou a vê-lo, sempre iluminado pela luz prateada:

– Esse Seu Manoel parece mesmo um homem do outro mundo. A ampla vitória dos representantes das situações estaduais havia lhe garantido a realização de mais um sonho: o de se tornar Presidente da República, eleito através do voto indireto, fato que iria ocorrer no dia 17 de julho do ano seguinte, um dia após a promulgação da Constituição.

Chapéu na cabeça e cigarro de palha na boca, Manoel parecia acompanhá-lo. Sentia vontade de revê-lo, agradecê-lo e abraçá-lo. E também ouvi-lo. Afinal, ele sabia das coisas.

Muito não demorou, Manoel chegava ao Palácio do Catete com seus quase dois metros de altura e mistério. Imediatamente foi arrastado para o gabinete do Presidente. Ali, Vargas o esperava ansioso, inquieto, caminhando de um lado para outro e fumando muito.

– Como vai o homem do outro mundo – exclamou sorridente ao vê-lo. Depois veio abraçá-lo, feliz e agradecido.

– Não sei como escapei daquele terrível acidente, Seu Manoel. Daquele acidente para o qual o senhor havia me alertado e pedido para que tivesse cuidado. Mas reconheço, poderia ter sido bem pior, bem mais trágico.

E recordou Getúlio:

– Quando ouvi o estrondo fechei os olhos. De olhos fechados vi o seu rosto. Tive a consciência, àquela altura, de que não me livraria do acidente, mas que iria sobreviver, porque o senhor estava do meu lado. Mandei chamá-lo para agradecê-lo e também presenteá-lo.

Caminhou até à mesa e abrindo a gaveta, dela retirou uma pequena caixa, embrulhada em papel colorido.

Disse:

– É um relógio, Seu Manoel. Um relógio de excelente marca, uma pequena lembrança. Ao usá-lo, o senhor vai se lembrar do seu amigo Presidente e também quanto lhe sou agradecido. Saiba, onde quer que eu esteja, não vou esquecê-lo. E espero que o senhor esteja sempre comigo.

Manoel sorriu, baixou a cabeça, estava emocionado. Depois começou a falar:

– Nesta vida nada é verdadeiro, a começar pela própria vida. Se a vida fosse verdadeira, ninguém iria perdê-la, Presidente. O que parece certo hoje, amanhã será errado, porque vivemos uma fase de desacertos, de desencontros. O homem é um vago bicho sem destino, nasceu sobre a Terra sem saber por que nem para quê.

– E como vamos saber o porquê, Seu Manoel?

– Daqui a dois anos, Presidente, com início da Fase Racional, a fase do raciocínio, quando a humanidade vai conhecer o mundo de sua raça e saber também como voltar para ele. A vida não terá mais segredos.

– O Presidente sabe o segredo da vida?

Um raio de sol fraco e louro iluminou o rosto redondo de Vargas. Surpreso e curioso, ele absorvia, em silêncio, as palavras sábias de Manoel:

– A vida tem suas organizações muito claras para quem sabe viver. Para quem não sabe, a vida torna-se desorganizada e difícil. Os seres orgânicos se digladiam, lutam, destruindo a própria vida. Para ser bem formada, bem construída, equilibrada ao bem-viver, a vida necessita que os seres orgânicos e as organizações estejam paralelas e adequadas ao modo de que se constitui a vida. O poder da vida está naquilo que as organizações podem corresponder para equivaler à vida.

– O que vale o vivente ter vida, viver e não saber viver, Presidente? Indaga Manoel, respondendo depois:

– Ora, não vale nada, porque quanto mais se procura organizar a vida, mais se desorganiza. E se desorganizando, mais sofrimento vai colhendo. É como a maré, sempre contra a maré, dentro do mar revolto. Assim como as tempestades que reinam na vida do vivente, acabam por naufragar-lhe a vida, deixando-o a imaginar e dizer:

– Quanto mais procuro o bem, mais ele se afasta de mim, mais longe fica, porque não enxergo o que vou fazer da vida.

E concluiu:

– Neste crepúsculo amargo, neste pesadelo infernal, neste vale de lágrimas, fica o vivente a pensar numa infinidade de coisas, sem saber resolver o ideal.

– Mas, Seu Manoel, o que seria o ideal no seu ponto de vista?

– Seria viver num mundo natural, verdadeiro, limpo, imenso, puro, longe dos problemas, das humilhações, das angústias e dos sofrimentos. Um mundo de união, de concórdia e de fraternidade. Um mundo sem mentiras, sem desconfiança, de equilíbrio e de virtudes.

E arrematou:

– No mundo de agora, a esperança que consola, aborrece e amola.

Vargas sorriu. Balançou a cabeça, concordando.

Manoel despediu-se dele, prometendo voltar um dia. Além dos ensinamentos de uma nova cultura, ele acabara de mostrar a Vargas, a luz da razão, o caminho da eternidade.

Agora sim, o Cavaleiro da Concórdia poderia partir para dar continuidade ao seu trabalho: o de fazer renascer das trevas o esplendor do Terceiro Milênio.

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O VERDADEIRO, DESENCANTO EU SOU! Nº 07 – A VOZ DA ANUNCIAÇÃO PARTE 2

PORTA DO MUNDO RACIONAL

(JORGE ELIAS, Jornalista, autor do Livro “O Cavaleiro da Concórdia”)

 

 

Diante de seus olhos apareceu novamente a Luz da Anunciação. E a voz morna e grave se fez ouvir:

– A felicidade que brilha no mundo, meu bom Manoel, é uma felicidade sem base. E a felicidade sem base sólida, deixa de ser felicidade, expondo os viventes a transes, sempre à procura dela.  Quanto mais se procura a felicidade, mais distante ela se encontra. Há gente vivendo momentos insignificantes na vaga esperança de serem felizes, morrendo e ficando por alcançar a felicidade. Meu bom Manoel, não existe na Terra quem possa dizer: “eu sou realmente feliz”. Porque, quando está tudo bem de um lado, do outro lado tudo vai mal. E a felicidade continua sendo procurada.

– Mas por que a felicidade não é encontrada? Indagou Manoel.

– Porque o mundo é de lutas. E onde há lutas, existe o sofrimento, não pode existir felicidade. Uns lutam pelos amores, outros pelos negócios, muitos por melhorias de vida, vários por razão de doenças, alguns por ideais. Todos na esperança de alcançarem aquilo que desejam. Enfim, uma vida de lutas, de sacrifícios e sofrimentos.

– E tem mais – prosseguiu a Voz da Anunciação – luta o rico, luta o pobre, filhos de uma natureza que não regula. Uma hora frio demais, outra frio irresistível. Ventos castigando, maltratando, ferindo e matando. De repente, um calor de rachar. Doenças de todas as formas e espécies. Portanto, se a natureza não regula, como os viventes desejam ser felizes, desregulados, sem equilíbrio?

A indagação fica no ar.

Manoel acompanha o raciocínio.

A voz, num tom paternal, vai explicando:

– A felicidade é uma palavra que só existe no nome, arranjada para amansar os iludidos, para aliviar aqueles que não conhecem os segredos da vida. Como pode a mãe ser feliz permanentemente preocupada com os filhos? Que felicidade pode ter os pais atormentados pela mesma preocupação? Na procura da felicidade todos se maldizem, sofrem, lutam e enfrentam dificuldades: o sol, a chuva e o sereno.

– Você quer ser feliz, Manoel?

– Quero, quem não quer?

– Para ser feliz, Manoel, torna-se necessário trazer para si o que é certo, viver de maneira certa e não na incerteza que todos vivem. Vou lhe mostrar, em muito breve, o caminho da felicidade, a solução para todos os problemas da vida e você terá de ensiná-lo à humanidade.

 

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O VERDADEIRO, DESENCANTO EU SOU! Nº 06 – A VIDÊNCIA RACIONAL

IMUNIZAÇÃO RACIONAL

(JORGE ELIAS, Jornalista, autor do Livro “O Cavaleiro da Concórdia”)

 

 

Quando Manoel entrou no Salão Nobre, Vargas dizia ao Ministro Afrânio:

– Inimigos, Afrânio… não sei se os tenho. Se os tiver, não serão jamais tão inimigos hoje que não possam vir a ser amigos amanhã.

Capricho e ambição marcavam aquele homem, além daquele charuto, daquela barriga, daquele sorriso.

– Entre, por favor, esteja à vontade. O Brasil também lhe pertence – disse Vargas ao avistar Manoel.

Já de saída, o Ministro Afrânio despediu-se e foi embora. Carregando no sotaque gaúcho, Vargas falou:

– A partir deste momento, estou à sua disposição, pronto para ouvi-lo.

Manoel, então, passou a explicar:

– Tenho uma tenda espírita lá no Méier, uma pequena casa de caridade…

– Entendo, entendo. O senhor deseja ajuda. Ora, o Presidente vai ajudá-lo!…

– O Presidente está enganado. Não estou aqui para pedir ajuda, mas para ajudá-lo. Tomei conhecimento, através da minha vidência, de um acidente. Vossa Excelência vai sofrer um grave acidente e estou aqui para alertá-lo para o perigo. Gostaria imensamente de poder ajudá-lo, mas isto independe de mim.

– Acidente? O senhor tem certeza do que está falando?…

– Tenho.

Da curiosidade natural, Vargas passou à preocupação. Sua fisionomia risonha e rosada, logo ficou anuviada, transformando-se numa máscara de gelo:

– Mas como o senhor, como o senhor – indagou Vargas, agora claudicante – conseguiu saber deste acidente?

– Foi ontem à noite, Presidente, durante a minha concentração. A vidência não se alongou muito, mas posso adiantá-lo que o acidente vai envolver um automóvel. Pude vê-lo ferido com outras pessoas, peço que acredite nas minhas palavras e tome cuidado.

– E quanto a meu governo, o senhor está gostando?

Na indagação de Vargas, duas intenções: a necessidade de mudar de assunto e também a de investigar Manoel. Vargas imaginou a possibilidade de estar diante de um homem doente.

– Estou gostando muito de seu governo. Mas vejo a necessidade de uma preocupação maior com a política social, voltada para o atendimento das classes trabalhadoras. Os poderosos, evidentemente, ficarão descontentes, mas, com o tempo, vão reconhecê-lo, aceitá-lo, aplaudi-lo. Mas o trabalhador brasileiro necessita de mais, de muito mais…

– Como assim?

– Necessita de um Ministério do Trabalho, da promulgação da Lei da Sindicalização, de uma Lei de Amparo ao Trabalhador Nato, da redução das correntes migratórias. Na Educação, Presidente, precisamos modernizar com urgência, o ensino médio e superior, criar as sonhadas universidades brasileiras, promover uma ampla reforma do ensino secundário.

Vargas ficou perplexo, embasbacado. Manoel fizera desfilar ali, sem o menor esforço, suas intenções e planos de governo. Parecia ter aberto o seu cérebro, especulando, devassando, coisa inacreditável.

– Então, Presidente? Estou certo?

– Claro que está, Seu Manoel. O senhor está certo.

– Vamos precisar também – insistiu Manoel – de uma revisão na Legislação Eleitoral, Vossa Excelência vai precisar dela. Estamos próximos das eleições. Fique tranquilo, não precisa perguntar, o senhor vai sair vitorioso. A Constituinte vai elegê-lo Presidente do Brasil. Durante muito tempo o poder vai permanecer nas suas mãos. Agora, tome cuidado.

– Terei muito cuidado, Seu Manoel.

Manoel levantou-se. Despediu-se e retirou-se.

Quando cruzou o batente da porta principal do Salão Nobre, três copos de cristal que estavam sobre a mesa foram partidos sem que ninguém tivesse tocado neles.

Vargas ficou arrepiado. A sensação fôra de que alguém havia entrado para quebrá-los, usando um estilete. Durante algum tempo, Vargas permaneceu sentado, confuso, intrigado.

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